#246 “Guerra e Paz nas Prisões” com Marcelli Cipriani

Saudações Pessoas! No Viracasacas dessa semana recebemos a socióloga Marcelli Cipriani (no Twitter @marcellicipri) para uma conversa sobre crime, castigo e encarceramento no Brasil. Marcelli é autora do recém-publicado Os coletivos criminais de Porto Alegre: Entre a “paz” na prisão e a guerra na rua, baseado em sua dissertação de mestrado premiada pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS). A partir de uma pesquisa conduzida no Presídio Central de Porto Alegre, discutimos o crescente papel das facções na organização do ambiente prisional no Brasil, bem como a estranha simbiose entre o encarceramento e a consolidação das facções nas ruas e nas prisões. E eis que as organizações de detentos, necessárias para ordenar a vida nas prisões desumanas, acabam se transformando em organizações criminosas. Da guerra nas ruas de Porto Alegre entre 2016-2018 a uma “paz negociada”, as dinâmicas das facções parecem ter um peso muito maior para a segurança pública do que as estratégias de policiamento. Ao contrário do que diz o senso comum, não é o medo que rege o poder dessas organizações que se expandem através de um sistema de reciprocidade (o apoio) e que une grupos e indivíduos. Dentro de um ambiente prisional insalubre e brutal a atuação das facções acaba sendo crucial para evitar explosões no “barril de pólvora” que são as prisões.

Dicas Culturais

(Livro) Os coletivos criminais de Porto Alegre: entre a “paz” na prisão e a guerra na rua

(Livro) Os supridores

(Livro) Ney Matogrosso: a biografia

(Livro) 1964: História do Regime Militar Brasileiro

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Apresentação: Gabriel Divan e Carapanã

Capas: Gui Toscan

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EH VÁRZEA #25 – A República do Eufemismo

Na coluna dessa semana Carapanã fala sobre como os crimes graves do governo Bolsonaro independem de qualquer preciosismo com as palavras.

Referências

Sequência do Rubens Valente

MPF apura denúncia sobre morte de crianças Yanomami ‘sugadas’ em rio por draga de garimpo

“A Farsa Ianomâmi” (1995) e o revisionismo militar brasileiro sobre a Amazônia: memória, usos políticos do passado e neocolonização

Ela ignorou o médico, mentiu para a família e morreu sem acreditar que estava com Covid: ‘Só via ake news’, diz filha

Viracasacas #244 “Nazismo Chinelão” – com Acácio Augusto

#245 “Duna” – com Ana Rusche e Eduardo Marks de Marques

Saudações pessoas! No episódio de hoje recebemos Ana Rusche (@anarusche) e Eduardo Marks ( @edmarks_ ) para uma conversa sobre a obra-prima de Frank Herbert, suas sequências de qualidade duvidosa e suas adaptações cinematográficas controversas. Começamos refletindo sobre porque Duna é a obra de ficção científica mais vendida de todos os tempos e o que faz dela tão única e influente. Falamos  sobre as adaptações para o cinema – do fracasso dirigido por David Lynch à estrondosa influência do filme nunca realizado por Jodorowski – e sobre o que esperar da nova tentativa de Dennis Villeneuve em trazer Duna às grandes telas. Discutimos como Duna é uma obra complexa, na qual um futuro é imaginado e tornado vivo em suas dimensões políticas, religiosas, econômicas e ecológicas. Duna inaugurou um novo estilo de ficção científica, marcada pela inevitabilidade da tragédia e pelo fascínio com o desconhecido, calcada na contracultura dos anos 60 mas profundamente pessimista com a política como meio para a mudança. Tudo isso e muito mais nesse episódio especial. Umma tamut wa-umma tanbut!

Referências

Jodorowsky’s Dune

David Lynch’s Dune

Dicas Culturais

(Livro) Os Despossuídos

(Livro) História da sua vida e outros contos

(Conto) Sonharão no Jardim

(Livro) Piquenique na estrada

(Livro) O Problema dos Três Corpos

(Newsletter) Fogo Baixo

(Série) Billions

(Série) O Último Reino

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#244 “Nazismo Chinelão” – com Acácio Augusto

Saudações pessoas! No Viracasacas dessa semana recebemos novamente Acácio Augusto, professor no Departamento de Relações Internacionais da UNIFESP, para uma conversa sobre como a Lei de Godwin ACABOU. Em 2018, quando Jair Bolsonaro liderava as intenções de voto para presidente, sobravam analistas políticos e articulistas dizendo que ele não poderia ser chamado de “extrema-direita” ou que era absurdo compará-lo a nazistas e fascistas históricos. Tudo isso enquanto ele subia em palanques para ameaçar a oposição de extermínio ou exílio. Enquanto Bolsonaro agia para difundir o discurso de violência e os ideais de uma extrema-direita filofascista, partes significativas da imprensa e da inteligência brasileira corriam para normalizá-lo. No cenário pós-eleitoral a imprensa passou a dar destaque para o trabalho de quem se dispôs a analisar as diversas “coincidências” e relações entre o bolsonarismo, o clã Bolsonaro e organizações nazifascistas. Das antigas correspondências com fóruns neonazistas levantadas pela antropóloga Adriana Dias, às várias declarações e defesas públicas de apologistas do nazismo, fotos com seguidores vestidos de oficiais da SS, atos cívicos organizados e encabeçados por neonazistas, idas a clubes de tiro nas quais é abundante a simbologia nazista,  etc etc etc… E nem estamos falando do uso de slogans nazistas pelo Governo Federal e das várias “coincidências” como a vice-governadora bolsonarista neta de um dos maiores negacionistas do Holocausto no Brasil, ou o já celebre pronunciamento no qual um ex-Secretário de Cultura faz um cosplay do Goebbels. Se formos citar as “coincidências” em relação ao Integralismo e ao Fascismo Italiano as linhas seriam intermináveis. Para além da estética e de uma suposta “ironia” nessas constantes referências ao nazismo e ao fascismo falamos também sobre as consequências materiais de se ter um governo alinhado à extrema-direita, traduzida na morte de centenas de milhares de brasileiros e na destruição organizada do país pra benefício de poucos. Aos analistas políticos dos jornalões deixamos uma pergunta: já pode chamar de fascista? E de nazista?

Referências

Neonazistas ajudam a convocar “ato cívico” pró-Bolsonaro em São Paulo

Líder de ato neonazista pró-Bolsonaro em 2011 organiza carreatas em apoio ao presidente em SP

Pesquisadora encontra carta de Bolsonaro publicada em sites neonazistas em 2004

Carlos e Eduardo Bolsonaro praticam tiro em clube nos EUA acusado de usar sinais nazistas

Dicas Culturais

(Livro) Autodefesa – Uma Filosofia da Violência

(Filme) O Porteiro da Noite

(Mangá) Vinland Saga

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#243 “Tradicionalismo, Islã e a Direita” – com Muhammad Puncha

Saudações pessoas! No episódio dessa semana recebemos novamente Muhammad Puncha (no Twitter: @muhammadpuncha), professor e Doutorando em Ciências Sociais na UNESP, para uma conversa sobre as estranhas interseções entre essa direita insurgente, a filosofia obscura conhecida como tradicionalismo e as políticas relativas ao Islã. Começamos retomando a desastrosa “gestão” Ernesto Araújo no Ministério das Relações Exteriores na qual o 4chanceler fez uma política externa marcada pelas posições paranoicas de uma direita avessa à qualquer tipo de multilateralismo. Araújo, que se fez conhecido na direita brasileira por um ensaio no qual invocava diversos ideólogos tradicionalistas para dizer que Trump iria “trazer Deus de volta à política” e salvar o Ocidente, foi o primeiro Ministro de Estado brasileiro a se guiar explicitamente por essa filosofia obscura. Falamos sobre o que é o tradicionalismo, um pouco de sua história, sua expressão esotérica, seus principais expoentes e sua relação com a extrema-direita em diversos momentos. Num Brasil devastado por uma direita que investiu num projeto de destruição nacional, o tradicionalismo está presente principalmente na figura do autointitulado filósofo Olavo de Carvalho e de seus seguidores, que ocupam diversos cargos no governo e além. Falamos sobre a relação dessa figura com o Islã tradicionalista e como ele e outros tradicionalistas (e expoentes da extrema-direita) usam essa relação para operar um jogo-duplo no qual a islamofobia domina e uma suposta “islamofilia” é acionada em diversos momentos convenientes.

Referências

A Proliferação do Neo-Tradicionalismo Islamista Brasileiro

A infiltração neofascista no PDT

A derradeira análise da obra de Olavo de Carvalho, para nunca ter de lê-lo

Viracasacas #88 Islã, Ocidente e o Chanceler Medieval – com Muhammad Puncha
Fagulha #20: Tradicionalismo e neofascismo – com Kaique e Letícia
DS #243 – O Retorno do Tradicionalismo e a ascensão da extrema direita populista

Dicas Culturais

(Filme) Um Homem com uma Câmera

(Canal)  Madrassa Virtual Al-Wadud

(Livro) Moby Dick

(Anime) Vinland Saga

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