EH VÁRZEA #028 – Políticas da Identidade?

Na coluna dessa semana Carapanã reflete sobre internet, política, identidade e algumas teses sobre a reação da extrema-direita.

2 comentários em “EH VÁRZEA #028 – Políticas da Identidade?

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  1. Oi Carapanã,

    Gostei muito da coluna hoje, mesmo.

    Porém queria fazer um comentário respeitoso sobre algumas das coisas que você falou, que talvez tenha sido uma má interpretação em relação à crítica ao identitarismo pela esquerda.

    Os marxistas criticam o identitarismo exatamente pelos expostos da coluna. Principalmente pois ele, o identitarismo, nega a análise ou existência de classes nos termos marxista (burguesia e proletariado). Os identitarismo coloca a questão da opressão do negro e da mulher em um conceito abstrato e difuso. Culpa-se o patriarcado ou a “branquitude” de forma abstrata, sem levar em consideração o sistema de classes numa sociedade capitalista. Não existirá emancipação dos negros e das mulheres dentro dos limites da propriedade privada dos meios de produção baseado nos estados nacionais.

    A crítica a esquerda de forma alguma é igual ou dá coro aos conservadores. O identitarismo divide sim a classe trabalhadora pois coloca-se a culpa no indivíduo pelos males no mundo.

    Uma pessoa que trabalha a quilômetros de distância do trabalho e não tem transporte público precisa do carro. Mas os identitarios colocam a culpa neles pelas mudancas climáticas.

    A função do capitalismo é baseado na exploração da força de trabalho. Ou seja, a pessoa tem que trabalhar o dia todo e estar quase morto de cansaço e chegar em casa e comer algo e dormir pra poder trabalhar no dia seguinte. Ou seja é conveniente pro Capital que tenha alguém em casa fazendo a essas tarefas. Sem quebrar com essa estrutura, a opressão da mulher não acabará. Mas os identitários culpam o homem proletário pela mulher estar em casa.

    Posso dar milhares de outros exemplos. O marxismo é e será sempre contra todas as formas de opressão, mas a diferença é o materialismo histórico-dialetico, ou seja as análises marxistas explicam da onde vêm essas opressoes e oferecem uma solução concreta e material, coisa que os identitarismo não o faz.

    Meu ponto é, não é justo falar que essas críticas ao identitarismo feita à esquerda seria equivalente, ou daria “coro” à extrema direita. Ninguém nega a existência de racismo e do sexismo. Mas a solução não é política identitária mas sim uma revolução socialista onde a classe trabalhadora tenha o poder na mão. Não será com social-democracia escandinava e não será com um bando de burocrata sentado na cabeça da população como na URSS que solucionará os problemas.

    Muito obrigado pelo trabalho de vocês

    1. Opa Anon,

      Obrigado pelas considerações. A ideia da coluna era versar sobre as seguintes questões

      1. Houve um breve momento de uma politização progressista via internet em meados doa anos 2000
      2. Angela Nagle escreveu um livro no qual afirma que a alt-right existiria como uma resposta a esse momento
      3. O termo “políticas de identidade” é ruim e insuficiente para descrever as lutas por dignidade de povos e grupos
      4. Fazer algo seria propriamente uma política de identidade é algo que a direita faz muito bem e faz o tempo todo
      5. A hegemonia neoliberal tenta capturar as lutas de diversos grupos oferecendo formas discursivas de reparação
      6. Não há como avançar qualquer luta por reconhecimento sem transformações estrutural e material
      7. A Nagle se diz herdeira do Lasch e peca onde ele peca: a direita é organizada por e para os interesses da burguesia. Não emerge porque alguém escreveu textão em alguma rede.
      8. Os problemas que frequentemente acontecem em ambiente de internet (pautas circulares, justiçamento, etc) são questões inerentes à própria estrutura das redes

      O diálogo com a Nagle e o Lasch de forma alguma teve a intenção de referir genericamente aos “marxistas”, ou dizer que eles estão em coro com os conservadores. Eles são exemplos de um fenômeno bastante anglofônico: o de articulistas de esquerda cujo conteúdo os torna palatáveis em meios conservadores. O Lasch inclusive continua sendo muitíssimo usado por gente nas direitas que convenientemente finge esquecer de quem ele era.

      Acho que o que você chama de identitário na sua exposição é o que eu chamo na coluna de liberal.

      Enfim, muito obrigado pelo feedback!

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